Preço e desabastecimento de carne bovina ameaçam churrasco de fim de ano


Os consumidores podem enfrentar desabastecimento de carne bovina neste fim de ano, ou então, pagar mais caro pelo produto, cujo aumento de preços nos açougues e supermercados, já chegou ao bolso do barretense. O motivo deste “transtorno” de final de ano? O aumento da exportação para mercados estrangeiros como China, Turquia e União Europeia, que pagam em dólar a arroba do carne bovina. No início de novembro, o Brasil habilitou mais 13 frigoríficos para exportar para a China, além de oito para a Arábia Saudita. Além da disparada dos preços, há a possibilidade de escassez do produto em supermercados e açougues já para o mês de dezembro, isso porque o produtor está preferindo comercializar a maior parte de seu rebanho com os frigoríficos autorizados na exportação, o que pode até triplicar seus ganhos. Outros fatores para que o churrasco possa virar um transtorno na virada de ano? Entre eles, a falta de bovinos prontos para o abate, o período de entressafra e a demanda interna aquecida por carne bovina. O aviso foi dado nos últimos dias por pessoas que atuam na venda do boi gordo aos frigoríficos que, em seguida, vendem no mercado consumidor. De acordo com uma consultoria especializada no assunto, o mercado da carne bovina tem tido altas consideráveis neste final de ano. “Na carne com osso, a alta na última semana foi de 7,9% para o boi casado, cotado em R$ 12,52/kg. Desde o final de agosto, a cotação subiu 22,0%. Já na carne sem osso, nos últimos sete dias, na média de todos os cortes pesquisados, o preço no atacado subiu 2,14%. São nove semanas de altas consecutivas, com variação acumulada de 10,0%”, explicou, em nota, um consultor de mercado. Segundo o Cepea, no último dia 14, “levantamentos verificaram que a arroba chegava a ser negociada por R$ 200,00 em algumas regiões do estado de São Paulo”. Nesta semana, a arroba já atingiu R$ 230,00. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Guilherme Moreira, coordenador de índice de preços da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), os valores continuarão a subir até o início de 2020. “O aumento da carne este ano foi pequeno, abaixo da inflação. As carnes começaram a aumentar agora”, disse. Para o especialista, o aumento dos preços é comum graças às festas de fim de ano, mas a alta extrapola os valores para época. “O que pode justificar estes valores é uma combinação de entressafra e exportações fora do padrão”, diz Guilherme Moreira. Há informes de que neste fim de semana alguns frigoríficos do centro do país irão cancelar, momentaneamente, as vendas de carne bovina no mercado interno, para “aguardar a alta da arroba no mercado internacional” e, consequentemente, obter maior lucro com a exportação da carne para o mercado estrangeiro. “Se sobrar, a tendência é de abastecer vagarosamente o mercado interno [brasileiro]”, com o aumento nos preços no atacado que acaba atingindo o varejo ou os bolsos dos consumidores brasileiros. Já há supermercadistas se prevenindo em relação a um possível desabastecimento de carne bovina em algumas regiões do país. Há alguns dias, o dono de uma rede de supermercados pediu a um frigorífico que enviasse tudo que pudesse de cortes de bovinos, sem se preocupar com a cotação.

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