Novo normal em nossas vidas

Priscilla Bonini Ribeiro, educadora, pesquisadora, doutora em Tecnologia Ambiental, mestre em Educação e diretora-geral da Unaerp Campus Guarujá. Ela também já foi Conselheira Estadual de Educação de São Paulo por dois mandatos, presidente da UNDIME (União dos Dirigentes Municipais de Educação do Estado de São Paulo) e ex-secretária municipal de Educação em Guarujá. Não precisa mais apresentação. Um artigo para refletir, escrito por quem conhece do assunto. Segue.

10 de setembro de 2021

O alarme do celular avisa: é hora de levantar! Vamos lá, iniciar mais uma jornada diária. O tempo parece diferente, mas as horas são ainda mais frenéticas que antes...
Olho a agenda do celular e me surpreendo com a quantidade de videoconferências do dia e dos afazeres que a tecnologia ajuda a não esquecer.
Mas, seguindo confiante, repetindo a mim mesma que tudo será muito profícuo, fico alguns instantes imersa em meus pensamentos, enquanto tomo uma xícara de café, preparando-me para os desafios diários. 
Nestes 18 meses desde o primeiro caso registrado de Covid-19 em terras brasileiras, o país ultrapassou a marca de 20 milhões de casos confirmados e está prestes a atingir - infelizmente - 600 mil mortes em decorrência da doença.
São perdas irreparáveis, cujas famílias enlutadas precisarão de atenção para serem trabalhadas emocionalmente. Cicatrizes doídas que ainda machucam, mas que o tempo há de aliviar. 
As marcas da pandemia estão em nossos corações e nossas vidas. Nossa rotina enfrentou inúmeras rupturas. Estamos vivenciando quebras de paradigmas a cada instante e os reflexos são inimagináveis. 
Lembro-me também de toda a reviravolta que tivemos que lidar em virtude das medidas de contenção e prevenção, como isolamento social, quarentena e restrições. Mas como seres com imensa capacidade de nos adaptarmos às mudanças, vamos nos adequando e nos acostumando com novos hábitos desse “novo normal”. 
Aliás, a adaptabilidade é uma das habilidades vitais e necessárias neste momento pandêmico, estando em alta dentro do conceito das habilidades socioemocionais.
Mais do que nunca, tivemos que aprender a negociar com os desafios do dia-a-dia, a termos novas posturas frente às situações buscando respeitar a si e aos outros para maior assertividade. 
Todos nós tivemos as vidas alteradas. A população brasileira vem sentindo as mudanças impostas pelo momento pandêmico em todas as áreas, em todas as idades e classes sociais.
E em minhas reflexões, procuro perceber o que há de bom nisso tudo, o que podemos aprender frente a esses novos desafios, ou seja, mudanças de hábitos e novas formas de encarar a vida. Sempre é possível ver o lado bom das coisas. 
E tivemos que lidar com algo que nem sempre é fácil de compreender: o fato de que nem sempre estamos no controle das coisas e que não temos a resposta certa para tudo. Adaptar-se a isso, com criatividade, empatia, ética e paciência é fundamental.
Em meus momentos de reflexão, procuro respostas do por que estamos passando por este período tão complexo e desafiador em nossa existência. Onde erramos? O que devemos fazer? Até onde podemos chegar?
São perguntas fundamentais para que este novo normal não tenha que ser tão pesado e com as sombras do risco de uma nova onda pandêmica. Tudo depende de nós. 
Além de nos reinventarmos em nossas profissões, precisamos nos reconstruir como seres humanos. Precisamos buscar o que é essencial para a humanidade e acreditar que é possível ainda recuperar nosso planeta.
Afinal, toda ação tem uma consequência. É como aquela canção “cada escolha, uma renúncia, isso é a vida…”. E, neste momento, mais do que nunca, o ser humano precisa renunciar ao individualismo e escolher a coletividade. 
Com a possibilidade de maior flexibilização, com mais atividades econômicas sendo retomadas e mais pessoas circulando, não podemos deixar o medo nos abater.
No entanto, precisamos ter cautela nessa retomada, mantermos ligado o nosso senso de coletividade para nos cuidarmos e termos atitudes que sejam positivas, que permitam o bem-estar de todos.