Governo adota fase emergencial para conter crescimento de pandemia


Sob o risco de colapso no sistema de saúde, devido à escalada da transmissão do coronavírus, o governo de São Paulo decretou uma fase emergencial mais dura de seu plano de combate da pandemia a partir da segunda-feira (15).

Haverá um toque de recolher das 20 às 5 horas, período em que as pessoas deverão ficar em casa e poderão ser abordadas para orientação. O objetivo não é multar pessoas, exceto nas já fiscalizadas aglomerações. A frequência de praias e parques estará vetada.

O pacote inclui um fechamento de colégios estaduais. Para não atrapalhar o calendário, os recessos de abril e outubro serão adiantados, oficialmente, de 15 a 28 deste mês.

As escolas seguirão parcialmente abertas para atender alunos vulneráveis que precisem de alimentação ou que precisem de equipamento para aulas remotas. Na rede privada, isso será opcional, mas as regras que limitam a 35% de ocupação seguem valendo.

Ao todo, 14 setores econômicos serão afetados pelo endurecimento de regras. Haverá restrição do funcionamento de supermercados até as 20 horas. Como serviço essencial, eles têm horário liberado como da fase vermelha, a mais restritiva, em vigor desde o último dia 6.

Serão excluídas dessa classificação lojas como as de material de construção, que terão de fechar. Cultos religiosos, que haviam sido permitidos na última reclassificação do chamado Plano SP, foram suspensos, porém os fiéis poderão rezar individualmente.

Escritórios e serviços públicos não essenciais terão suas atividades presenciais vetadas.

Serviços de retirada de alimentos e produtos nos estabelecimentos estão vetados, mas o delivery segue permitido.

Em vídeo gravado e distribuído em redes sociais, o governador Doria afirma que as medidas serão impopulares.

“Vou honrar o cargo que ocupo, mesmo que isso custe minha popularidade. Vocês me elegeram para cuidar de vocês, não para cuidar de mim”, afirmou. “Nossos hospitais estão chegando no limite máximo de ocupação. Temos de adotar medidas mais duras de distanciamento social”, disse Doria.

“É uma decisão dura, impopular, difícil. Me solidarizo com todos. O Brasil está colapsando, e se nós não frearmos o vírus, não será diferente em São Paulo”, disse o governador. Em entrevista coletiva, se disse “muito triste de ter de anunciar” a nova fase.

O endurecimento das medidas é consequência do colapso em curso no sistema de saúde paulista, um dos mais avançados do país, sob o peso do aumento de casos e óbitos relacionados à circulação de variantes mais transmissíveis e, talvez, mais letais do Covid 19.

O avanço da doença ocorreu mesmo com a implantação da fase vermelha, a mais restritiva e que só permite a abertura de serviços essenciais, que teve pouco efeito sobre o isolamento social no estado.

Na terça (9), apenas 43% dos paulistas estavam isolados, segundo o rastreamento por daos celulares do governo. A nova fase emergencial não terá uma classificação por cor.

Ao todo, o estado já teve 63.010 mortes desde o começo da pandemia, declarada como tal há exato um ano pela Organização Mundial da Saúde.

O governo determinou a abertura de novos leitos em regime de urgência, mas o temor é de que eles não cheguem a tempo.

A ocupação de UTIs no estado todo está em 87%, segundo dados do governo.

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